
O setor de viagens em 2024 está se redefinindo sob a influência de novas restrições regulatórias, mudanças tecnológicas e uma alteração nas prioridades dos viajantes franceses. O turismo não segue mais um único padrão: as decisões orçamentárias, a busca por experiências culturais e as preocupações ambientais estão redesenhando os itinerários e os modos de reserva.
Sistema europeu EES: um controle nas fronteiras que muda o jogo para os viajantes
Um dos fatos mais estruturantes para a viagem na Europa em 2024 é o lançamento do sistema de entrada/saída (EES). Este dispositivo substitui o carimbo manual dos passaportes por um registro biométrico e digital das entradas e saídas de cidadãos de países terceiros. A comissária europeia Ylva Johansson anunciou uma entrada em vigor prevista para 10 de novembro de 2024.
Os gestores de aeroportos franceses rapidamente alertaram sobre o risco de filas de espera significativamente mais longas. Alguns chegam a estimar que o dispositivo poderia afastar os turistas para outros continentes. As primeiras reações da imprensa europeia descrevem começos difíceis, com dificuldades técnicas e organizacionais.
Para os profissionais do turismo e para os viajantes, essa evolução exige uma antecipação maior das formalidades. Os destinos europeus podem ver sua atratividade relativa diminuir em comparação com regiões onde os controles permanecem mais fluidos. Acompanhar as novidades no Actualités Voyages permite ficar informado sobre esse tipo de evolução regulatória que afeta diretamente a organização das viagens.

Luxo acessível e relação custo-benefício: as decisões orçamentárias dos viajantes franceses
O conceito de luxo a baixo custo se impôs no vocabulário do turismo este ano. A ideia é simples: os viajantes não abrem mão do conforto, mas redistribuem seu orçamento de forma diferente. Segundo um estudo divulgado pela Skyscanner, uma parte dos viajantes considera um upgrade para classe executiva ou primeira classe, enquanto busca economias em outras áreas.
Essa lógica de arbitragem se traduz em combinações que pareceriam contraditórias há alguns anos. Um voo low-cost associado a uma hospedagem de alto padrão, por exemplo. Ou um pacote all-inclusive no segmento premium, que garante um orçamento controlado sem sacrificar a qualidade da experiência.
A relação custo-benefício continua sendo o fator determinante para os viajantes franceses. O custo do voo e o da hospedagem são os dois principais critérios de decisão. O que muda é que os clientes aceitam gastar mais se a experiência justificar o preço, como resume Gaurav Bhushan, co-CEO da Ennismore.
Destinos fora dos roteiros tradicionais e exploração cultural em 2024
As tendências de viagem para 2024 confirmam um movimento iniciado nos últimos anos: os viajantes buscam destinos menos frequentados. O fenômeno dos destinos “enganadores” ilustra essa dinâmica. O princípio consiste em substituir um destino popular (e saturado) por uma alternativa menos conhecida que ofereça uma experiência comparável.
A exploração cultural ocupa um lugar crescente nas motivações de partida. Gastronomia local, patrimônio imaterial, festivais regionais: a viagem se torna um pretexto para aprofundar uma cultura em vez de acumular pontos turísticos. Vários critérios orientam essa escolha:
- A autenticidade da experiência proposta, longe dos circuitos padronizados que uniformizam as estadias
- A possibilidade de interações reais com os habitantes, por meio de hospedagens em casas de locais ou oficinas artesanais
- O custo de vida no local, que permite prolongar a estadia sem estourar o orçamento
A Ásia também está voltando com força após vários anos de desaceleração. As reservas para essa região estão aumentando, impulsionadas pela reabertura completa de alguns destinos e uma taxa de câmbio favorável para os viajantes europeus.

Tecnologia e turismo sustentável: dois eixos que redefinem o setor
A inteligência artificial está ganhando espaço na indústria de viagens, mas não da maneira que se poderia supor. As aplicações mais concretas em 2024 dizem respeito à personalização das recomendações e à otimização de preços. As plataformas de reserva utilizam IA para ajustar os preços em tempo real e propor itinerários adaptados às preferências individuais.
A realidade aumentada também começa a encontrar seu espaço. Alguns destinos e museus oferecem visitas enriquecidas por sobreposição de informações digitais sobre o ambiente real. A adoção ainda é limitada, mas a tecnologia avança rapidamente.
No que diz respeito ao turismo sustentável, as declarações de intenção estão se transformando gradualmente em critérios de reserva. Os viajantes não se contentam mais em preferir uma opção “verde” a preço igual. Uma parte deles agora orienta a escolha do destino em função da pegada ambiental da viagem. O trem está ganhando participação de mercado em distâncias curtas e médias na Europa, impulsionado por:
- O desenvolvimento de linhas noturnas, que permitem combinar transporte e hospedagem
- Uma oferta de bilhetes internacionais mais clara do que há alguns anos
- A percepção crescente do voo de curta distância como uma escolha questionável do ponto de vista ambiental
Fiscalidade turística e regulamentação: novas restrições para os destinos
Vários destinos populares endureceram sua fiscalidade turística em 2024. Essa tendência responde a uma dupla pressão: a gestão do excesso de turismo e o financiamento das infraestruturas locais. As taxas de estadia aumentam em algumas cidades europeias muito frequentadas, e novos mecanismos de regulação dos fluxos estão surgindo.
Essas medidas alteram o cálculo econômico dos viajantes. Um aumento na fiscalidade local pode ser suficiente para redirecionar uma estadia para um destino alternativo, reforçando a dinâmica dos destinos fora dos roteiros tradicionais mencionada anteriormente. Para os profissionais do setor, a transparência sobre esses custos adicionais torna-se uma questão de confiança do cliente.
A viagem em 2024 é caracterizada por essa sobreposição de fatores: regulatórios, tecnológicos, econômicos. Os viajantes que antecipam essas evoluções, desde o sistema EES até os novos impostos locais, transformam potenciais restrições em escolhas informadas. O setor de turismo, por sua vez, ainda não terminou de se adaptar.